No estudo levado a cabo pelo professor e investigador Carlos Carreira da Universidade de Coimbra, tendo como autores Paulino Teixeira, Ernesto Nieto-Carrillo e João Eira, menciona que “A probabilidade de recuperação das empresas ‘zombie’ não é nula” sendo que “necessitaram de três anos e dois meses para o fazerem” as que recuperam deste prejuízo.

No estudo verificou-se que entre 2005 e 2016, em média, cerca de 46% das empresas ‘zombie’ recuperaram a sua viabilidade económica e financeira, 28% encerraram e 26% mantiveram-se nesse estado.

É considerada uma organização ‘zombie’ “toda a empresa sobre-endividada que, sendo incapaz de responder aos compromissos financeiros por falta de rendibilidade, mantém a sua atividade suportada na condescendência dos credores”.

Neste estudo verificou-se que a incidência destas empresas em Portugal é elevada, e que de acordo com o estudo entre 2005 e 2016 cerca de 11% do tecido empresarial e 6% do emprego total, indica o estudo.

Uma das formas de recuperação após a reestruturação da empresa, indica que o regime de insolvência de 2012 acelerou o processo de liquidação das empresas.

No mesmo estudo pode-se concluir que, durante o período recessivo de 2008-2013, o risco de encerramento das novas empresas fortemente endividadas, nos primeiros anos de vida, foi três vezes maior do que o das empresas menos endividadas.

Menciona-se ainda que “Dada a magnitude do choque negativo a que se assiste, uma deterioração drástica nos balanços das empresas desencadeará necessariamente um aumento no risco de encerramento de um número significativo de empresas viáveis”, afirmam os autores, defendendo que “políticas contracíclicas destinadas a aliviar os problemas de liquidez das empresas são, pois, da maior relevância”.

Os autores mencionam que “importa garantir que as políticas públicas canalizam os recursos para as empresas mais viáveis” e “Uma estratégia que inclua a reorganização de ativos e da força de trabalho, a mudança tecnológica e a reestruturação da dívida faz aumentar a probabilidade de recuperação das empresas económico-financeiramente viáveis”.

Verifica-se ainda que “a reestruturação e a insolvência envolvem custos significativos, designadamente o desemprego, o que conduz à necessidade de adequado acompanhamento por parte das entidades públicas”. E consideram que este estudo de 2008-2013 pode ser uma mais-valia no contexto actual da crise causada pelo Covid-19.

Confiança do empresário cresce, segundo CNI - Notícias & Negócios